Correios acumulam prejuízo bilionário e enfrentam ciclo de fragilidade
Presidente da estatal não considera a possibilidade de privatização
© Valter Campanato/Agência Brasil Os Correios registraram em 2025 um prejuízo de R$ 8,5 bilhões, mais que o triplo do resultado negativo de 2024 (R$ 2,6 bilhões). O balanço, divulgado pela estatal, expõe a gravidade da crise financeira e a dificuldade de reverter um ciclo de perdas que já dura 14 trimestres consecutivos.
Segundo a empresa, o rombo foi influenciado principalmente pelo aumento de custos operacionais e pelo provisionamento de obrigações judiciais, que somaram R$ 6,4 bilhões — em grande parte decorrentes de demandas trabalhistas. A receita bruta, por sua vez, caiu para R$ 17,3 bilhões, uma retração de 11,35% em relação ao ano anterior.
Para manter suas operações, a estatal recorreu a empréstimos de bancos públicos e privados, totalizando R$ 12 bilhões. A dependência de crédito externo reforça a percepção de um modelo de gestão que não consegue se sustentar sem aportes, evidenciando um ciclo vicioso: falta de caixa gera atrasos a fornecedores, o que compromete a operação e reduz ainda mais a capacidade de gerar receita.
O presidente dos Correios, Emmanoel Schmidt Rondon, reconheceu que a estrutura de custos é rígida e pouco adaptável às quedas de receita. A estatal, que já perdeu espaço no mercado de postagem com a chamada “desmaterialização da carta” e enfrenta forte concorrência de empresas privadas de logística ligadas ao comércio eletrônico, tenta se reestruturar com planos de demissão voluntária e cortes de gastos.
Apesar da gravidade da situação, Rondon descarta a privatização, defendida por setores pró-mercado. Ele aposta em resultados positivos apenas a partir de 2027, após a conclusão do plano de recuperação. Até lá, a estatal segue pressionada por dívidas, custos fixos elevados e perda de relevância no setor.
A insistência em manter o modelo atual, sem discutir alternativas estruturais, levanta dúvidas sobre a viabilidade de longo prazo da empresa e sobre o custo que essa fragilidade impõe à sociedade.
Fonte: Agência Brasil





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