Novo Desenrola promete descontos de até 90%, mas limitações preocupam
Governo avalia uso do FGTS para quitar dívidas, diz Durigan
O governo federal prepara o lançamento do chamado Desenrola 2.0, programa que permitirá o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para renegociação de dívidas. O anúncio deve ser feito ainda esta semana pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo confirmou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, após reuniões com banqueiros em São Paulo (Agência Brasil).
Durigan afirmou que o FGTS poderá ser utilizado como garantia, mas com limites definidos, evitando que o saque seja superior ao valor da dívida. Apesar da promessa de descontos que podem chegar a 90%, o ministro destacou que não se trata de um “Refis recorrente”, mas de uma medida excepcional diante do alto nível de inadimplência e dos juros ainda elevados no país.
O encontro com representantes de grandes bancos — Itaú, Bradesco, Santander, BTG Pactual, Nubank e Citibank — reforça a tentativa do governo de obter contrapartidas do setor financeiro. A exigência é que as instituições pratiquem taxas de juros significativamente menores do que as cobradas hoje em modalidades como cartão de crédito, cheque especial e crédito direto ao consumidor, que chegam a variar entre 6% e 10% ao mês.
Embora o programa seja apresentado como alívio para milhões de famílias, há críticas sobre o uso do FGTS, um fundo que deveria priorizar a proteção do trabalhador em situações de desemprego ou para investimentos de longo prazo, como habitação. A medida pode ser vista como um paliativo de curto prazo, que não enfrenta de forma estrutural o problema dos juros abusivos e da falta de educação financeira no país.
No primeiro Desenrola, em 2023, cerca de 15 milhões de pessoas renegociaram R$ 53,2 bilhões em dívidas. Agora, o governo espera atingir “dezenas de milhões”, mas sem detalhar como será garantida a sustentabilidade do programa.





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